quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Meu pé de tomate

       Sou filha de um agricultor e uma costureira... (sempre que penso nessa frase, lembro do Leonardo Pataca, filho de uma pisadela e um beliscão! rs... ). Minha mãe, artesã e costureira, é  também filha de agricultores. Sempre fez hortas e cultivou plantas ornamentais em casa. Na minha vida, portanto, ver plantar e colher era algo corriqueiro. Tão corriqueiro, que nunca foi pra mim. Lembro-me de ter arrancado da terra uma cenoura e uma beterraba, ainda na infância. Mais que isso, a dona Zelir não deixava. Assim como as plantas, nasci, cresci, reproduzi e quase morri no parto. Mas a única coisa que eu havia plantado na vida era uma árvore, num ato coletivo, provavelmente nas proximidades de um dia 21 de setembro, de um ano longínquo, lá em Barreiras, na Escola São José.
       Na denominada semana do Meio Ambiente deste ano (por volta do dia 5 de maio), essa história mudou. Fui por acaso ao Parque da Cidade passear com meu filho. Lá, encontrei uma exposição de diversos órgãos públicos e algumas instituições privadas, distribuindo mudas de plantas: cidreira, carqueja, alecrim, camomila... trouxe as mudas para casa e, com um certo sentimento de incompetência, demorei alguns dias para providenciar terra e uma jardineira que coubesse na única janela do apartamento banhada pelo sol da manhã.
       Em um dia daqueles em que não havia mais nada para pensar, resolvi sair do marasmo e transplantar as mudas para a jardineira. Fiquei com as mãos imundas e achei o máximo! O Lucas também.
       Eis que o tempo passou, reguei as plantinhas e identifiquei-as, umas pelo cheiro, outras pela forma... exceto uma. Tinha umas folhas bem recortadas, os galhos engrossavam a cada dia e começou a dar flores amarelas. Eu olhava para aquela planta, tentava sentir o odor, mas nada me convencia... Julguei ser um pé de camomila. Sempre tomei chá de camomila e sabia que as flores são amarelas. As flores não eram iguais, mas na falta de outra hipótese mais plausível, convenci-me de que estava diante de um pé de camomila florescendo. Fiquei imaginando as noites tranquilas de sono que eu teria após tomar um delicioso chá de camomila do pé plantado sobre minha janela. Deliciei-me com a idéia, embora, toda vez que aproximasse meu nariz da planta, tivesse a sensação de que havia algo de errado com a minha certeza...
       Entrei de férias. Fiz um arranjo sobre a pia da cozinha para que as plantas sobrevivessem. Viajei.
De volta, cansada, dispus-me à árdua tarefa de recolocar as plantas no lugar. Fiquei deslumbrada ao perceber uma bolotinha de um verde bem clarinho pendurada no exato lugar onde, antes, havia as flores! Chamei o Lucas para que visse logo. Apenas apontei com o dedo e disse: "olha, Lucas!"
"Nossa! Uma pérola!!!" - foi o terrível e surpreendente comentário que ouvi. Cheguei à conclusão de que o meu filho estava envolvido demais com as aventuras dos piratas e seus tesouros. Depois de uns dias na praia, comentários sobre tubarões e conchas do mar, ele vê uma pérola no lugar do primeiro tomate da minha plantação.
       O fato é que, depois desse dia, passei a ter uma sensação grandiosa de poder! Vi quão bom é sentir-se responsável por algo realmente útil para os seres humanos: plantar e colher. Acho que, depois de parir e amamentar, essa é a coisa mais importante que existe para um ser humano fazer.

2 comentários:

  1. Plantar, ver as coisas se desenvolverem e colher... São os atos mais naturais e porque não os mais gratificantes da vida.!

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